Notas sobre violências e segurança pública no Brasil no trânsito Lésbicas Pretas Sapatonas

um ensaio reflexivo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.53282/sulsul.v2i02.893

Palavras-chave:

Lésbicas Pretas Sapatonas, Violências, Segurança Pública, Feminismo Sul Global

Resumo

O estudo apresenta reflexões sobre as violências e segurança pública no Brasil direcionada a lésbicas pretas sapatonas, compreendendo que o processo histórico colonizatório provocou um tipo de sociabilidade visando o apagamento de memórias, vivências e epistemes na América Latina, privilegiando o eurocentrismo, a branquitude e a heterossexualidade. Busca-se adentrar nesta construção do gênero no Sul Global, pensando as identidades lésbicas sapatonas pretas latinas, evidenciando a importância de análises interseccionais e descoloniais para o entendimento das violências que acometem suas existências e produção de novas epistemes.

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Biografia do Autor

Rodrigo Sales Queiroz, Universidade Federal da Bahia

Graduado em Serviço Social pela UFRB - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Serviço Social - PPGSS/UFBA - Universidade Federal da Bahia. É suplente na Representação Discente no Colegiado do PPGSS/UFBA. Participou do programa de Mobilidade Internacional na graduação, no IPB - Instituto Politécnico de Bragança - em Portugal. Atuou como Assistente Social na Proteção Social Básica - CRAS - Centro de Referência de Assistência Social - Parteira Rufina de Conceição do Almeida/BA e, atualmente, atua na Proteção Social Especial da mesma instituição. É membro do Grupo de Estudos e Pesquisa CIPÓS - Cidadania e Políticas Sociais; e do LES - Laboratório de Estudos e Pesquisas em Lesbianidade, Gênero, Raça e Sexualidades. Interessa-se pelas temáticas de Gênero, Sexualidades, Raça, Crítica Queer Racializada, Segurança Pública e Assistência Social.

 

Nayane Nepomuceno da Cruz, Universidade Federal da Bahia

Mestranda em Serviço Social pelo Programa de Pós Graduação em Serviço Social da Universidade Federal da Bahia (PPGSS), Bacharel em Serviço Social pela Universidade Federal da Bahia. Ex membro do FAS (Fórum Acadêmico de Saúde) da UFBA, Ex- bolsista extensionista do grupo V.I.DA (Violência, Saúde e Qualidade de vida) da Escola de Enfermagem da UFBA. Foi voluntária do projeto Pensamento Lésbico Contemporâneo do grupo GIRA (Grupo de Estudos Feministas em Política e Educação) e estagiária da CODESAL (Defesa Civil de Salvador)

Valeria dos Santos Noronha, Universidade Federal da Bahia/Prof.a Associado II do Curso de Serviço Social

Profa Associado II do Curso de Serviço Social da Universidade Federal da Bahia-UFBA. Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social na PUC/SP sob a supervisão da Profa Dra Dirce Koga (2019-2020). Pós-Doutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) - Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) - com término em março de 2015 sob a supervisão da Profa Dra. Maria Cecília de Souza Minayo . Doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ (2009), Mestre em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ (2002), Sanitarista e Especialista em Gestão Hospitalar pela ENSP/FIOCRUZ (1998), e Graduação em Serviço Social pela Universidade Federal Fluminense- UFF (1995). Membro do corpo pedagógico da Residência em Saúde Coletiva com ênfase na Primeira Infância do Instituto de Saúde Coletiva do ISC/UFBA. Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher- PPGNEIM. Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social- PPGSS/UFBA. Coordenadora do Núcleo de Pesquisas e Estudos Maria Quitéria-NUPEQ.

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Publicado

2021-10-01

Como Citar

Sales Queiroz, R., Nepomuceno da Cruz, N. ., & dos Santos Noronha, V. (2021). Notas sobre violências e segurança pública no Brasil no trânsito Lésbicas Pretas Sapatonas: um ensaio reflexivo. Sul-Sul - Revista De Ciências Humanas E Sociais, 2(02), 153–175. https://doi.org/10.53282/sulsul.v2i02.893

Edição

Seção

Vol. 02 N. 02 - Epistemologias e Ativismos Lésbicos no Sul Global